Perfumes genéricos

Perfumes genéricos

Empresas de perfumaria oferecem produtos similares aos importados, mas com preço bem mais em conta para quem não está disposto a pagar caro pela grife

Angel, Jadore, Anäis Anäis, Tommy Girl, Tommy Boy, Flower, Poison, Amarige, Jean Paul Gaultier, Polo Ralph Lauren, Animale, CK One, CK Be... e o eterno Chanel nº5. Todos maravilhosos, sem dúvida. Mas nem todo mundo tem algumas centenas de reais sobrando para comprar uns poucos mililitros dessas preciosidades. Se é esse o caso, já existem alternativas bem mais em conta para quem não pode pagar o preço de um perfume de grife. São os chamados perfumes contratipos ou similares.

  Os contratipos nada mais são do que uma espécie de clone dos perfumes importados. Quando as indústrias de perfumaria fabricam uma nova essência, os desenvolvedores misturam várias substâncias aromáticas de um leque de cerca de sete mil existentes, de acordo com uma orientação olfativa determinada pelo cliente. Com os contratipos, o que acontece é um processo inverso. A partir de um original, os perfumistas identificam que substâncias entraram na composição e fabricam algo o mais próximo possível do original. Como se alguém experimentasse um novo prato e tentasse adivinhar os ingredientes que entraram na receita.

  De acordo com o perfumista Jean Luc Morineau — que já trabalhou em grandes multinacionais do ramo de essências, como a Firmenich, e hoje está à frente da L'Atelier de Parfums —, a diferença entre um importado e um similar está na concentração da essência, que determina o tempo de permanência do odor. ''Os importados costumam ter de 15% a 20% de essência, enquanto num alternativo a concentração fica entre 5% e 7%'', diz.

  Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Perfumaria, Higiene e Cosmética (Abiphec), não há nada de ilegal nesse processo. ''Em nenhum momento se vende o produto como sendo o original, nós damos apenas uma referência'', diz Juliana Carvalho, gerente administrativa de uma das maiores fabricantes brasileiras desse tipo de perfume, a Fator 5.

  Ainda assim, quando a empresa surgiu, há sete anos, foi processada pela Chanel porque vendia um perfume que era cópia do Chanel nº5 e o nome da empresa — com o número 5 — fazia alusão ao best-seller da maison francesa, argumentava. A Justiça acabou decidindo a favor da empresa brasileira.

  Grandes empresas fabricantes de essência normalmente são proibidas de fazer cópias dos produtos que desenvolveram para as grifes de perfumes importados, mas nada impede que outras fábricas pequenas sem vínculos contratuais com essas grifes tentem chegar a um perfume igual ao que está na moda.

  Assim como acontece com as roupas e os acessórios, os perfumes também seguem tendências internacionais. Se um perfume é lançado e cai no gosto do consumidor, a tendência é que ele inspire a criação de outros produtos na mesma linha olfativa.

  ''A fórmula exata de um perfume pertence à empresa que dá o nome
ao produto, e mesmo o fabricante da essência não pode fazer um perfume igual, apenas com a mesma linha olfativa'', explica Sandra Heilborn, gerente de Marketing da Fav105, distribuidora das essências da multinacional suíça Firmenich, fabricante de alguns dos perfumes mais procurados em todo o mundo, como o Flower, da Kenzo, e o CK One, da Calvin Klein, e do brasileiro Tarsila, do Boticário.
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